Oi, meu nome é Beatriz e sou doadora de medula óssea. Tenho 22 anos, moro em Rolim de Moura - RO e sou estudante de medicina veterinária.
Tudo começou em maio de 2018, fui em uma feira agropecuária do meu estado e lá visitei um stand do Fhemeron (hemocentro de Rondônia).
Eu estava com duas amigas quando fomos gentilmente abordadas pela enfermeira responsável pelo stand, ela nos perguntou se conhecíamos o Redome e se teríamos vontade de nos cadastrar. Não pensamos duas vezes, fizemos nosso cadastro, preenchemos uma ficha com dados pessoais (termo de consentimento) e lemos os critérios para ser voluntário de doação de medula, depois disso a enfermeira retirou uma pequena amostra de sangue (5ml) de cada uma e pronto, estávamos registradas.
Mesmo havendo a possibilidade de um dia ser compatível com uma pessoa para fazer a doação de medula, nunca pensei que iria acontecer comigo pois é uma chance de 1 a 100 mil. Mas um belo dia eu recebi uma ligação dizendo que havia a possibilidade de ser essa pessoa compatível, de 1:100.000!
Em março deste ano, após quase quatro anos do meu registro no Redome, recebi uma ligação em meu celular com um número desconhecido, eu estava meio desconfiada da ligação então não atendi a chamada. Não deu nem 2 minutos, o telefone fixo de minha casa toca, e eu já fiquei preocupada, pois vi que alguém realmente estava tentando entrar em contato comigo.
Quando atendi a ligação no telefone fixo perguntaram se Beatriz se encontrava e logo após se identificaram. Comentaram sobre poder ter uma possível compatibilidade para doação de medula óssea e perguntaram se eu ainda tinha interesse em ser doadora. Eu manifestei interesse e a moça prosseguiu com algumas perguntas referente a minha saúde e pediu para eu aguardar um próximo contato, pois iriam refazer os testes para ter certeza com a compatibilidade. Após quase um mês, em abril me ligaram novamente falando que houve uma boa chance de ser compatível, mas que precisavam de mais amostras de sangue para ter a certeza, então pediu para eu ir no Fhemeron mais próximo para fazer uma nova coleta de amostra de sangue para confirmar os testes.
Passaram cerca de 5 meses, na primeira semana de setembro recebi uma nova ligação falando que eu fui compatível!! Fiquei muito emocionada, estava na faculdade quando recebi essa notícia, quem estava em minha volta vibrou com essa benção. Para prosseguir com a doação eu precisava fazer alguns exames e uma consulta com a médica responsável pelo meu procedimento, então precisei ir para São Paulo. Tudo foi bancado pelo SUS, desde a minha saída de casa até a volta para casa. A Locomoção da minha cidade até São Paulo, minha hospedagem, alimentação e com direito a acompanhante! Foi um bate volta que fiz, fui no dia 07/09, minha consulta e exames foram dia 08/09 e retornei para casa dia 09/09.
Na minha consulta, a Médica conversou sobre como seria o procedimento que iriam realizar em mim, no caso a doação será via aférese (uma filtração automatizada, para separação de componentes do sangue). A princípio o local de acesso seria pelas veias dos braços, mas por eu não ter um acesso bom em um dos braços optaram por um acesso nas veias do pescoço através de um cateter.
Em todos os momentos a médica sempre perguntava se eu queria prosseguir com a doação, pois era um ato voluntário. Após uma semana da minha volta para casa no dia 16/09 recebi o retorno dos meus resultados dos exames e estava apta para a doação, fui informada que minha doação seria em Niterói - RJ. Como da outra vez, eles arcaram com passagem, hospedagem, depositaram um valor estipulado para alimentação, tudo isso para mim e meu acompanhante, que nesse caso seria meu pai,
Vim para Niterói no dia 30/09, no dia 01/10 precisei ir para o Complexo Hospitalar Niterói - CHN para fazer o teste de covid e dar início a medicação. A medicação se chama Granulokine, ela basicamente faz com que as células da medula óssea se multipliquem e passem para a corrente sanguínea, com isso no dia da doação a máquina que faz o procedimento resgata apenas as células que precisam e retorna o restante para mim. Precisei tomar 2 injeções de granulokine na parte da manhã e 1 no final da tarde, isso por 4 dias, no total terá sido 12 injeções. Elas são bem simples de serem aplicadas, é aplicada na barriga, é quase sem dor.
Amanhã dia 04/10 será meu último dia de medicação e enfim farei a doação. Torcendo para que dê tudo certo e que eu consiga ter a chance de poder salvar uma vida. Tudo isso que estou vivendo certamente nunca irei esquecer, não dá para explicar como me sinto pois é um misto de emoções. Agradecendo muito a Deus por ter me escolhido para fazer essa ação tão nobre e tentar incentivar a outras pessoas a fazerem o mesmo.
Fonte: DO ROLNEWS